Gatinha,
Estou sentindo que meu dia hoje vai ser insuportável. Tenho evitado ao máximo qualquer contato com ela, mal respondo quando ela dá bom dia ao nos cruzermos no corredor. Sempre que vou à cozinha, vejo antes se ela está lá pra não nos encontrarmos (nessa hora é bom eu ter sido isolado numa sala... já te conto isso). Tento tirá-la da cabeça.
Seria tão mais fácil se ela não fosse tão doce, tão adorável... ontem eu passei mal aqui no escritório. Não sei se minha pressão caiu (nao tenho conseguido comer muito nesses temnpos; praticamente me alimento de café preto sem açucar, quatro ou cinco canecas grandes por dia), ou se foi porque reduzi a quantidade de remédios (antes tomava de 8 em 8hs, mas os remediois sao caros e passei a tomar 1x ao dia). Sei que, de repente, meus braços se paralisaram e o formigamento subiu até minha nuca, enquanto eu sentia meu peito se apertando como se vestisse uma túnica de choques eletricos. Perdi um pouco da coordenação motora dos braços também.
Ela estava tirando copias perto da minha sala; eu tive que passar por ela para conversar com a secretária, para pedir que ela ligasse para o meu médico. Depois fui até a cozinha colocar sal debaixo da língua (caso fosse a pressão) e comer um pouco de açúcar (caso fosse hipoglicemia). Ela foi atrás, mnas nao consegui nem falar com ela. Pouquissimo tempo depois, minha chefe veio ver como eu estava, se precisava ir no médico, essas coisas.
De todas as mais de vinte pessoas no escritório, só ela percebeu, ou se importou. Minha 'namorada' não pergunda da minha saúde há uns 15 dias. A secretária viu que eu estava tremendo e quase desmaiando, mas preferiu terminar a ligaçao com 'o cara da net'.
Depois, de brincadeira, mandei uma msg pelo skype da chefe dela (não posso mais usar o skype de qualquer outra pessoa aqui) dizendo para falar que ela era uma 'fofoqueira'. Ela depois me manda um bilhete dizendo que 'era fofoqueira, mas com muito orgulho... que ficava preocupada comigo e que sempre que me visse mal ia dar um jeito de avisar alguém, já que eu não estava mais falando com ela'. E se despede dizendo 'Beijos... (seu teimoso)'.
Eu mandei um mail dizendo que ela não se preocupasse; 'da próxima vez você não vai perceber.' Depois, ela estava saindo e veio perguntar se eu precisava de alguma coisa do Tribunal, e eu só olhei para ela porque foi bem na hora em que eu estava indo na cozinha. Não pude deixar de rir quando a vi, por causa do e-mail que mandei.
Como é possível não se apaixonar mais e mais por alguém assim? Como é possível deixar pra trás, como é possível esquecer? Ela disse que 'queria saber por que estou mal'. Estou mal porque me apaixonei por voce, tá bom assim? :P
Ah, gatinha. Não tenho onde me segurar... eu achava que as coisas estavam ruins ano passado, mas estou tão ruinzinho agora... Talvez uma parte disso seja coisa da doença, que parece que pode piorar depressão; não sei. Só sei que estou com medo do futuro. As duas únicas perguntas que eu faço são: 'vai demorar?' e 'vai doer quando acontecer?'
Sobre me colocar sozinho numa sala, minha chefe disse que 'assim voce se dispersa menos' e, o mais importante, que 'assim você não afeta a todos quando estiver de mal humor'. Agora trabalho numa sala sozinho, sem skype ou telefone, e as pessoas estao terminantemente proibidas de vir aqui, exceto em casos especiais. Tem uma moça do administrativo que vem de tempos em tempos pegar o trabalho que eu fiz e trazer mais. Isso não é de todo ruim; estou acostumado a ficar sozinho mesmo e, de qualquer forma, fico feliz por não prejudicar os outros.
Só uma coisa me incomoda nisso: é um retrato muito fiel da minha vida. Trancado numa sala, sozinho, sem falar com ninguém, escrevendo o tempo todo.
Estou cansado. Queria só poder dormir, dormir até que tudo à minha volta virasse pó...
Kai
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
"O amor toma reféns"
"Você já esteve apaixonado? Horrivel não é? Te deixa vulnerável. Te abre o peito e te abre o coração e quer dizer que alguém pode entrar em você e te detonar por dentro. Você constrói todas essas defesas. Constrói uma armadura completa, e por anos nada pode te machucar, aí uma pessoa estúpida, nada diferente de qualquer outra pessoa estúpida caminha para dentro da sua vida estúpida… Você dá a essa pessoa um pedaço de você. Essa pessoa não pediu por isso. Essa pessoa fez algo besta um dia, como te beijar ou sorrir para você, e aí a sua vida não é mais sua.
O amor toma reféns. O amor entra em você. Te come por dentro e te deixa chorando na escuridão, e frases simples como “talvez devêssemos ser apenas amigos” ou “nossa, que perspicaz” se transformam em farpas de vidro movendo-se para dentro do seu coração.
Dói. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, uma dor do tipo que-entra-em-você-e-te-arrebenta. Nada deveria ser capaz de fazer isso. Especialmente o amor. Eu odeio o amor" (Sarah Parker, personagem de Neil Gaiman)
O amor toma reféns. O amor entra em você. Te come por dentro e te deixa chorando na escuridão, e frases simples como “talvez devêssemos ser apenas amigos” ou “nossa, que perspicaz” se transformam em farpas de vidro movendo-se para dentro do seu coração.
Dói. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, uma dor do tipo que-entra-em-você-e-te-arrebenta. Nada deveria ser capaz de fazer isso. Especialmente o amor. Eu odeio o amor" (Sarah Parker, personagem de Neil Gaiman)
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
e me dou choques
Outra coisa que passei o dia fazendo: ainda sinto choques violentos cada vez que abaixo a cabeça. E quando não tem ninguem olhando, faço um sinal de 'sim' com violência, o que causa um choque que vai dos pés, sobe pelas costas e dói até a ponta dos dedos das mãos. E faço isso, e de novo, e de novo, e de novo. Estou fazendo isso nesse exato momento.
Também deixei de comer porque sei que os remédios que estou tomando baixam minha glicemia e minha pressão. No fim do dia, eu estava totalmente tonto.
Eu tô precisando de ajuda.
Também deixei de comer porque sei que os remédios que estou tomando baixam minha glicemia e minha pressão. No fim do dia, eu estava totalmente tonto.
Eu tô precisando de ajuda.
e eu inventei que a carol estava voltando
Percebi que ela ficou balançada. Mas não passou disso. O mais engraçado é que, depois de um tempo, eu passei realmente a acreditar que ela estava vindo, ao ponto dessa fantasia toda me acalmar!
Mas não durou muito tempo. Agora, meu coração já está apertado de novo, e hoje só me alimentei de café preto sem açúcar. Pra acalmar a dor do meu coração, eu fiz isso ó:
Tá, eu sei que não é bonito. Mas funcionou, o embrulho no meu estômago diminuiu e eu consegui passar o dia. Não sei como vai ser amanhã; pior, não sei como vai ser o fim de semana. Acho que o truque não vai funcionar de novo.
Estou cansado. Quero desistir.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Lux, a luz da minha vida
E quando eu peço uma âncora, é sempre a lux quem surge. Só voce me socorre. Não sei o que eu faria sem você.
Âncora
Quando estava voltando para casa, depois de deixar a moça no ponto, eu rezei pedindo só uma coisa: uma âncora que me segurasse a esse mundo. Algo que me prendesse à terra, porque eu me senti como se não tivesse nenhum tipo de ligação com nada daqui. Queria uma corda, de verdade, não uma corda metafórica, que me amarrasse a qualquer coisa: a um prédio, a um poste, ao céu, ao meu trabalho... não sei explicar, só sei que me senti flutuando no vazio, sem ligação com nada nem com ninguém.
O que me mantém aqui?
O que me mantém aqui?
Da volta para casa
Eu falei com a moça do escritório enquanto íamos para o ponto de ônibus. Tinha outra advogada junto, que ficou no meio do caminho, então na verdade pudemos falar bem pouco.
Ela falou que 'sentia por ter estragado minha vida'. Chorava porque achava que tinha me 'destruído'. Destruído? Na verdade ela me deu dois dias maravilhosos, e foi o que eu falei a ela. Aí chegou o ônibus dela, e eu fui beijá-la, ela se afastou. Pedi um abraço, ela se fechou como um caracol e disse que 'tinha que ir'.
Senti falta daquele abraço que não demos. Mais do que do beijo. Queria tê-la abraçado de verdade; queria tê-la envolvido nos meus braços, com força, com amor. Aquele abraço não dado foi talvez uma das coisas mais tristes de toda minha vida. Se ela tivesse deixado eu abraçá-la, ela teria sentido tudo o que eu sinto por ela. aquele abraço era tudo pelo que eu tinha ansiado desde que me separei da Sra. D. Mas eu nao pude dá-lo.
Fui até o ponto do meu ônibus chorando por todo o caminho; mal sei como cheguei em casa. Tenho medo da noite, medo de ficar sozinho. Tenho medo do amor.
Não quero ir pra minha cama; estou com medo. Queria não estar tomando tantos remédios, pra poder beber; mas eu não posso. Voltei a ter medo do futuro, agora de um jeito como nunca tive antes... um medo escuro e rastejante, um medo que me sufoca de um jeito que não sei descrever. Queria conseguir esquecê-la; queria não tê-la conhecido. Queria jamais ter provado disso.
Eu já sei como isso funciona. Daqui a uma semana é que vem a dor de verdade. A dor de verdade vai vir cada dia em que ela for embora sem falar comigo, ou que sair com o namorado dela. A dor de verdade vai vir quando eu tentar fazer sexo com a jaque e não conseguir; a dor de verdade vai vir lá na frente, e não vai embora tão cedo.
Queria que minha mãe estivesse aqui, pra poder deitar minha cabeça no colo dela. Queria poder chorar no colo dela até dormir, enquanto ela cuida de mim... mas não posso. Vou ter que dormir no meu quarto escuro, o mesmo quarto onde, ontem, eu acordei durante a noite de tanto desejo por ela.
Ela disse que 'se tivesse me encontrado em outra fase da vida seria diferente'. Bem, não seria. Eu sou um sonhador; as coisas acontecem sempre como devem ser. Se ela 'não estava na fase certa', não era pra ser.
Acho que isso significa que eu devo me contentar com alguém como a jaque - nao alguem que eu ame, mas alguem que me suporte. Não alguem com quem eu consiga conversar, ou alguém com quem eu goste de estar junto; mas meramente alguem que eu consiga arranjar.
Sabe, vou sentir muita falta desta garota. Conversar com ela me fazia muito, muito bem. Tomara que ela seja feliz com o cara que está com ela, ou com quem quer que venha depois; eu a amo o suficiente para desejar que ela seja feliz.
E você, Kai? Você não vai ser feliz?
Eu não sei. A cada dia que passa eu acredito menos nisso. A cada dia que passa eu fico mais velho, mais triste, mais doente. A cada dia que passa eu fico mais ranzinza, mas cético, mais amargo. A cada dia que passa eu acredito menos nas coisas e nas pessoas. "Tudo falha, senhor. As pastagens, as colheitas e o coração dos homens."
Sete anos de busca, em trinta e três de vida. Quase um quinto da minha vida - o último quinto da minha vida - procurando algo, e a cada vez que eu achava que tinha encontrado, uma bofetada. Não sei até onde aguento.
Eu estava pensando na minha doença; primeiro, eu achava que eu me odiava tanto que meu próprio corpo tentava me matar. Mas, agora, cheguei à conclusão de que é o contrário... meu corpo escuta o que eu falo tanto, escuta eu falando tanto que preciso descansar, que resolveu dar um jeito nisso. Meu corpo me ama tanto que resolveu acabar com tudo...
Ela falou que 'sentia por ter estragado minha vida'. Chorava porque achava que tinha me 'destruído'. Destruído? Na verdade ela me deu dois dias maravilhosos, e foi o que eu falei a ela. Aí chegou o ônibus dela, e eu fui beijá-la, ela se afastou. Pedi um abraço, ela se fechou como um caracol e disse que 'tinha que ir'.
Senti falta daquele abraço que não demos. Mais do que do beijo. Queria tê-la abraçado de verdade; queria tê-la envolvido nos meus braços, com força, com amor. Aquele abraço não dado foi talvez uma das coisas mais tristes de toda minha vida. Se ela tivesse deixado eu abraçá-la, ela teria sentido tudo o que eu sinto por ela. aquele abraço era tudo pelo que eu tinha ansiado desde que me separei da Sra. D. Mas eu nao pude dá-lo.
Fui até o ponto do meu ônibus chorando por todo o caminho; mal sei como cheguei em casa. Tenho medo da noite, medo de ficar sozinho. Tenho medo do amor.
Não quero ir pra minha cama; estou com medo. Queria não estar tomando tantos remédios, pra poder beber; mas eu não posso. Voltei a ter medo do futuro, agora de um jeito como nunca tive antes... um medo escuro e rastejante, um medo que me sufoca de um jeito que não sei descrever. Queria conseguir esquecê-la; queria não tê-la conhecido. Queria jamais ter provado disso.
Eu já sei como isso funciona. Daqui a uma semana é que vem a dor de verdade. A dor de verdade vai vir cada dia em que ela for embora sem falar comigo, ou que sair com o namorado dela. A dor de verdade vai vir quando eu tentar fazer sexo com a jaque e não conseguir; a dor de verdade vai vir lá na frente, e não vai embora tão cedo.
Queria que minha mãe estivesse aqui, pra poder deitar minha cabeça no colo dela. Queria poder chorar no colo dela até dormir, enquanto ela cuida de mim... mas não posso. Vou ter que dormir no meu quarto escuro, o mesmo quarto onde, ontem, eu acordei durante a noite de tanto desejo por ela.
Ela disse que 'se tivesse me encontrado em outra fase da vida seria diferente'. Bem, não seria. Eu sou um sonhador; as coisas acontecem sempre como devem ser. Se ela 'não estava na fase certa', não era pra ser.
Acho que isso significa que eu devo me contentar com alguém como a jaque - nao alguem que eu ame, mas alguem que me suporte. Não alguem com quem eu consiga conversar, ou alguém com quem eu goste de estar junto; mas meramente alguem que eu consiga arranjar.
Sabe, vou sentir muita falta desta garota. Conversar com ela me fazia muito, muito bem. Tomara que ela seja feliz com o cara que está com ela, ou com quem quer que venha depois; eu a amo o suficiente para desejar que ela seja feliz.
E você, Kai? Você não vai ser feliz?
Eu não sei. A cada dia que passa eu acredito menos nisso. A cada dia que passa eu fico mais velho, mais triste, mais doente. A cada dia que passa eu fico mais ranzinza, mas cético, mais amargo. A cada dia que passa eu acredito menos nas coisas e nas pessoas. "Tudo falha, senhor. As pastagens, as colheitas e o coração dos homens."
Sete anos de busca, em trinta e três de vida. Quase um quinto da minha vida - o último quinto da minha vida - procurando algo, e a cada vez que eu achava que tinha encontrado, uma bofetada. Não sei até onde aguento.
Eu estava pensando na minha doença; primeiro, eu achava que eu me odiava tanto que meu próprio corpo tentava me matar. Mas, agora, cheguei à conclusão de que é o contrário... meu corpo escuta o que eu falo tanto, escuta eu falando tanto que preciso descansar, que resolveu dar um jeito nisso. Meu corpo me ama tanto que resolveu acabar com tudo...
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