Meu irmão ficou fora quatro dias. Voltou chapado e violento. Vamos ter que interna-lo de novo... o pior é ficar com o coração na mão o tempo todo, sem saber se ele tá vivo ou morto, ou preso ou sabe-se lá o quê.
Minha irmã mais nova está doente, e não sabemos o que ela tem. Está toda inchada, a barriga tensa como um tambor, com diarreia, vômitos e fraqueza. Já fomos duas vezes ao hospital e ela não melhora. Essa é a minha irmã que vive deprimida, à base de remédios e de de álcool.
Cansado dessa vida...
terça-feira, 2 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Sra F
Quarta ou quinta feira recebo uma mensagem da Sra F no celular: "oi, estou com saudades suas. como vc está? Já tenho dois filhos. Sra F".
Respondi so no outro dia, dizendo 'que bom que voce alcançou o que queria! Estou bem, e vc?" Depois ela mandou outra mensagem, mais ou menos no mesmo sentido, e eu continuei sendo o mais neutro possível.
Ela tem dois filhos. Eu tenho duas tatuagens. Prefiro assim, e vai continuar assim.
Respondi so no outro dia, dizendo 'que bom que voce alcançou o que queria! Estou bem, e vc?" Depois ela mandou outra mensagem, mais ou menos no mesmo sentido, e eu continuei sendo o mais neutro possível.
Ela tem dois filhos. Eu tenho duas tatuagens. Prefiro assim, e vai continuar assim.
Remédios e trabalho
Voltei a tomar antidepressivo. Estava insuportável a minha falta de concentração no trabalho e a incapacidade de resolver as coisas. Depois de quase vinte dias com um sono incapacitante, ao ponto de ter que ir dormir no banheiro no meio do expediente, tenho me sentido melhor. Minha concentração melhorou, e parei de me cortar.
Queria não precisar de remédios, mas enfim, não posso deixar meu orgulho colocar meu trabalho em risco.
Ainda sinto muita tristeza, muita solidão. Por um lado é bom, não quero ficar chapado e bobo o dia todo. Mas, esses sentimentos diminuíram, e não tenho mais tanto aquela angústia no peito. Mesmo assim, ainda tem sido difícil enfrentar as coisas aqui em casa e na minha vida.
Semana retrasada tive que ir buscar meu irmão na boca de fumo, às seis horas da manhã de domingo. Esse fim de semana provavelmente vai ser a mesma coisa (ele sumiu de casa sexta a noite e ainda não apareceu).
Minha vida pessoal e social, continua ridícula. Continuo eremita, continuo no meu canto - e quando faço qualquer tentativa contrária, ela é tão patética que eu sou rejeitado, e o resultado é que eu me fecho ainda mais.
Bem, ao menos o trabalho está melhor. E tenho meu videogame e meus livros, e agora, meus remédios. Assim vou levando a vida - ainda com gosto de cinzas e lágrimas, mas ao menos, suportável.
Queria não precisar de remédios, mas enfim, não posso deixar meu orgulho colocar meu trabalho em risco.
Ainda sinto muita tristeza, muita solidão. Por um lado é bom, não quero ficar chapado e bobo o dia todo. Mas, esses sentimentos diminuíram, e não tenho mais tanto aquela angústia no peito. Mesmo assim, ainda tem sido difícil enfrentar as coisas aqui em casa e na minha vida.
Semana retrasada tive que ir buscar meu irmão na boca de fumo, às seis horas da manhã de domingo. Esse fim de semana provavelmente vai ser a mesma coisa (ele sumiu de casa sexta a noite e ainda não apareceu).
Minha vida pessoal e social, continua ridícula. Continuo eremita, continuo no meu canto - e quando faço qualquer tentativa contrária, ela é tão patética que eu sou rejeitado, e o resultado é que eu me fecho ainda mais.
Bem, ao menos o trabalho está melhor. E tenho meu videogame e meus livros, e agora, meus remédios. Assim vou levando a vida - ainda com gosto de cinzas e lágrimas, mas ao menos, suportável.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Ontem ela foi trabalhar
Ontem a moça do escritório foi trabalhar - parece que tinha ficado alguma coisa pra resolver. etc. Eram sete e meia da noite, eu estava na minha sala e alguém bate na porta (meu computador fica de costas para a porta). Virei.
Era ela.
"Vim dizer tchau."
"É, tchau". Eu respondi, secamente - mas meio sem saber o que fazer, na verdade.
"Então, boa sorte e..."
Eu virei para o computador, ficando de costas pra ela, e voltei a digitar. "Boa sorte para você também." e continuei trabalhando.
Não ouvi ela saindo. Nunca mais a vi.
Era ela.
"Vim dizer tchau."
"É, tchau". Eu respondi, secamente - mas meio sem saber o que fazer, na verdade.
"Então, boa sorte e..."
Eu virei para o computador, ficando de costas pra ela, e voltei a digitar. "Boa sorte para você também." e continuei trabalhando.
Não ouvi ela saindo. Nunca mais a vi.
domingo, 19 de setembro de 2010
Terapia: algumas respostas
Bem, já faz dois ou três meses que estou indo na terapia, embora durante um tempo tenha tido que faltar por problemas de grana e trabalho.
Na última sessão, ela me fez ver especialmente a minha necessidade de controle que tenho sobre os relacionamentos - o que provavelmente explica a minha necessidade do jogo. Quando o jogo acaba e o relacionamento passa a ser "sério", eu perco o controle - especialmente porque tenho medo de me sentir rejeitado e não digo não nunca, o que me leva a perder meu espaço pessoal. e quando não tenho meu espaço pessoal, eu fico infeliz. Olhando para minhas relações, faz todo o sentido do mundo.
Na última sessão, ela me fez ver especialmente a minha necessidade de controle que tenho sobre os relacionamentos - o que provavelmente explica a minha necessidade do jogo. Quando o jogo acaba e o relacionamento passa a ser "sério", eu perco o controle - especialmente porque tenho medo de me sentir rejeitado e não digo não nunca, o que me leva a perder meu espaço pessoal. e quando não tenho meu espaço pessoal, eu fico infeliz. Olhando para minhas relações, faz todo o sentido do mundo.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Ela foi embora.
Hoje foi o último dia da moça do escritório. Eu não a vi nem mais, nem menos, do que nos últimos meses. Mais ou menos uma hora antes dela sair, ela me manda uma mensagem no skype (do qual normalmente ela não faz parte): "oi, voce deve estar sabendo que hoje é meu último dia. Queria pedir desculpas por qualquer coisa que eu fiz. Desculpe."
Eu não respondi. Mas, preciso dizer que aquilo me balançou, me deixou dolorido por dentro. Pensei em escrever alguma coisa, mas pensei o que realmente eu pensava que teria. No fundo, eu sei que queria escrever algo que a fizesse "voltar", mas percebi que não havia o que "voltar". Melhor deixar ir embora, e seguir a vida.
Sinto falta dela - não desde hoje, porque hoje não há nada. Sinto falta dela desde aquele tempo.
Ao mesmo tempo, esse pedido de desculpas que parecer mais o tipo de coisa que a gente fala quando esbarra com alguém na rua ou quando derruba molho de tomate na toalha de mesa, mostra qual foi a verdadeira importância que eu tive para ela.
Bem, adeus. Até nunca mais.
Eu não respondi. Mas, preciso dizer que aquilo me balançou, me deixou dolorido por dentro. Pensei em escrever alguma coisa, mas pensei o que realmente eu pensava que teria. No fundo, eu sei que queria escrever algo que a fizesse "voltar", mas percebi que não havia o que "voltar". Melhor deixar ir embora, e seguir a vida.
Sinto falta dela - não desde hoje, porque hoje não há nada. Sinto falta dela desde aquele tempo.
Ao mesmo tempo, esse pedido de desculpas que parecer mais o tipo de coisa que a gente fala quando esbarra com alguém na rua ou quando derruba molho de tomate na toalha de mesa, mostra qual foi a verdadeira importância que eu tive para ela.
Bem, adeus. Até nunca mais.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Justiça?
A moça do escritório pediu demissão - e, se não tivesse pedido, iam demiti-la. Parece que ela pediu um adiantamento de salário com a promessa de devolver depois o dinheiro, coisa que não fez até agora, um mês e pouco depois de ter recebido.
Minha chefe contou, como ela conta as coisas do escritório para mim de modo geral. E depois ela falou que "achava que era uma forma de resolver uma situação", de eu "exergá-la de uma forma um diferente".
Bem, minha reação? Sinceramente, primeiro eu me sinto longe de tudo isso. Acho que o esforço de isolá-la da minha vida foi tanto que agora parece que tudo isso se refere a outra pessoa. E, segundo, na verdade não foi surpresa: que ela era desonesta, eu já tinha aprendido, em primeira mão. Apenas me surpreendo por se venderem por tão pouco...
Claro que eu fui gentil e não falei nada de nada Por outro lado, eu me sinto feliz, porque estou bem com o meu trabalho e nunca roubei um centavo - pelo contrário, às vezes pago literalmente para trabalhar.
Olhando em retrospecto, isso talvez explique a insistência da minha chefe em dizer que a moça estava grávida - provavelmente, ela achou que saber disso talvez me fizesse bem...
Minha chefe contou, como ela conta as coisas do escritório para mim de modo geral. E depois ela falou que "achava que era uma forma de resolver uma situação", de eu "exergá-la de uma forma um diferente".
Bem, minha reação? Sinceramente, primeiro eu me sinto longe de tudo isso. Acho que o esforço de isolá-la da minha vida foi tanto que agora parece que tudo isso se refere a outra pessoa. E, segundo, na verdade não foi surpresa: que ela era desonesta, eu já tinha aprendido, em primeira mão. Apenas me surpreendo por se venderem por tão pouco...
Claro que eu fui gentil e não falei nada de nada Por outro lado, eu me sinto feliz, porque estou bem com o meu trabalho e nunca roubei um centavo - pelo contrário, às vezes pago literalmente para trabalhar.
Olhando em retrospecto, isso talvez explique a insistência da minha chefe em dizer que a moça estava grávida - provavelmente, ela achou que saber disso talvez me fizesse bem...
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