domingo, 17 de janeiro de 2010

Um mail para ela que eu não mandei

Comecei a escrever um mail para ela, mas não mandei. Tenho que aprender a não sufocar com meu amor... Uma vez minha sócia falou que essa minha atitude assustava as pessoas, e eu acho que ela tinha razão. Mas gostei do que escrevi, então não quero perder isso:

"N,

eu fiquei pensando muito no que você falou ontem, que eu falo muita coisa pela metade. E você tem razão, quando se trata de mim, do que sinto, falo muita coisa pela metade.

Tem muita coisa que quero te falar, olhando nos teus olhos - estes olhos onde aprendi a me perder. Coisas que quero falar, inteiras, sem esconder nada, porque eu já escondi muita coisa, por muito tempo.

Na verdade, nem sei exatamente porque estou mandando este e-mail... acho que me acostumei a dividir com você o que está acontecendo (mesmo que às vezes eu só mostrasse a sombra do que está acontecendo).

Quero te olhar nos olhos e dizer que estou apaixonado por você. Quero olhar nos teus olhos, estes olhos tão profundos e tão vivos, e dizer que há muito tempo sou apaixonado por você. Você deve saber disso há muito tempo, porque é difícil esconder algo assim... Sei que um e-mail não é o jeito de dizer isso; e é por isso que eu vou repetir tudo isso assim que te encontrar. Só que isso está queimando aqui dentro e eu preciso dizer, agora, sem esperar mais.

Você fica vermelha quando eu te olho de verdade... eu falei que ia fazer isso. Falei que ia baixar minhas defesas, que ia mostrar quem vive de verdade aqui dentro, quem espia pela janela dos meus olhos. É esse o Kai que é apaixonado por você, o Kai que quase ninguém conhece, o Kai de verdade. Talvez seja por isso que eu me apaixonei por você... porque, com você, eu posso mostrar quem realmente sou. Tem um conto do Rubem Braga em que ele fala que é apaixonado pelo mar, porque pode se apresentar diante dele sem culpa e sem remorso.

E você é meu mar, N. Ao mesmo tempo em que quero te descobrir, em que quero saber qual o seu cheiro, em que quero ouvir tua voz na minha cabeça, em que quero saber o que você quer, quem você realmente é, do que tem medo, o que te faz feliz, eu também quero que você me descubra. Acho - não, a essa altura eu já não acho mais nada; eu sou feito de certezas, agora - eu sei que é por isso que eu te enchia de coisas, livros, músicas, filmes. Eu queria, e quero, que você saiba quem eu realmente sou, quero que você saiba como eu vejo o mundo, e quero saber o mesmo de você.

Queria estar te falando cada uma destas coisas, mas não aguento esperar. Bem, sou melhor escrevendo do que falando, até porque é disso que eu vivo. (...)"

Parei por aqui, porque percebi que estava indo longe demais. É difícil manter as rédeas...

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