sábado, 29 de agosto de 2009

"BOM DIA! LINDO DIA! MARAVILHOSO DIA!"

Comecei a fazer o tinha dito: cortar os laços com aquela advogada do escritório. Quando ela chega, não a cumprimento no skype, como tenho feito nos últimos dias.

Uns dez minutos depois, ela me manda uma mensagem dizendo: "BOM DIA! LINDO DIA! MARAVILHOSO DIA!"
E eu só posso responder "bom dia pra vc tb".

Durante o dia todo, tento evitá-la - e, de uma forma gentil, fazer com que ela perceba. E parece ter dado certo, porque antes de sair para a faculdade, ela não se despede de mim, não me deseja uma boa noite e não me manda um beijo.

Ah, como eu queria poder responder de outra forma. Há muito tempo alguém não me deseja um dia lindo e maravilhoso, há muito tempo ninguém me manda um beijo.

Eu queria poder responder "BOM DIA, LINDO DIA, MARAVILHOSO DIA pra voce também! É bom ver que você está animada, é bom ver que eu te faço bem. É isso que eu quero, te ver feliz, cantando a alegria da vida. É isso que falta na minha vida, eu poder abrir os meus portões e despejar a vontade de amar e de fazer o outro feliz. Bom, lindo e maravilhoso dia, em que eu percebi que você se arrumou especialmente para mim, para ficar bonita para mim; bom, lindo e maravilhoso dia, em que finalmente eu vou poder contar para alguém as coisas bobas que me aconteceram e que ninguém antes queria saber. Bom, lindo e maravilhoso dia, em que vou poder fechar os olhos e vou ter alguém em quem pensar, alguém com quem contar. Bom, lindo e maravilhoso dia, porque é o dia em que tenho você ao meu lado, e não me importa nem o ontem, nem o amanhã..."

Fazer as coisas certas é duro e difícil. E dói porque essa é uma luta oculta e secreta; sei que ninguém vai me apoiar nisso, porque ninguém sabe - e ninguém quer saber. O único suporte com que posso contar é com a Lux, e comigo mesmo. Minhas glórias não podem ser cantadas.

Bem, foram dois dias ótimos. Dois dias de conversa daquele tipo que me atrai, com frases de duplo sentido onde os dois fazem de conta que só entendem um, mas respondem o outro. Dois dias sentindo apoio, dois dias com alguém se preocupando comigo, dois dias em que eu pude despejar algumas gotas de tudo aquilo que eu guardo aqui dentro.

Como disse aquela mulher na cela do V, do V for Vendetta: "não me importei quando me levaram para a prisão; recebi flores por dois dias e não preciso prestar contas a ninguém".

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